Sporting 2005-2006: O Balanço
Em ano de centenário as expectativas eram elevadas. Apesar das dramáticas derrotas do mês de Maio, o Sporting de 2004-2005 terminara uma época em que tinha chegado a uma final europeia, tinha sido eliminado da Taça de Portugal através da lotaria dos penaltys e tinha estado a lutar pelo campeonato até às últimas. Além disto, o Sporting praticava um futebol bonito e atacante, que chegou a ser apelidado pelos meios de comunicação social portugueses e estrangeiros como o “futebol sexy de Peseiro”. A conjuntura era favorável e todos nós esperávamos que os níveis de performance da época 2004-2005 se fossem repetir em 2005-2006.
No entanto, assim que acabou a pré-época, uma derrota prematura com a Udinese fez-nos antever o futuro: A equipa, que nunca tinha tido grande intimidade com o treinador, estava muito distante deste. Os jogadores não o respeitavam, andavam distantes dos jogos, e pareciam fazer tudo para que José Peseiro fosse despedido. A juntar à falta de ligação entre a equipa e os técnicos, o Sporting perdeu carisma, com as saídas de Rui Jorge e Pedro Barbosa, perdeu força, com as vendas de Rochemback e Enakarhire, e perdeu alternativas, com as saídas de Pinilla, Niculae e Mário Sérgio, e com Paíto a ser “encostado” por Peseiro. Tentou-se compensar as áreas que ficaram em desvantagem com as contratações de Tonel, Deivid, Labarthe, Luís Loureiro e Manoel mas destes, apenas Tonel se impôs sem margem para dúvidas na equipa principal.
O campeonato começava, três vitórias pela margem mínima nas três primeiras jornadas (incluindo o derby contra o benfica), disfarçavam o que se sentia nas mentes dos sportinguistas. Pelo meio eram contratadas duas apostas pessoais de Peseiro: João Alves e Wender. Foi numa viagem à Madeira que o descalabro começou. Uma derrota por 2-1 no campo do Nacional fez com que todos nós “caíssemos na real”. A equipa estava a anos-luz das exibições da época anterior e algo tinha que mudar. Esse “algo” ficou perfeitamente definido quando na 5ªjornada, a vencer o Vitória de Setúbal apenas por 1-0 e a jogar contra 10, José Peseiro decidiu tirar Liedson para colocar Beto em campo. Esta terá sido provavelmente a substituição mais contestada a que eu alguma vez assisti. Desse fatídico minuto 81’ até ao dia 18 de Outubro passaram 2 jornadas, nas quais fizemos zero pontos (derrotas em Paços de Ferreira e contra a Académica em casa), a contestação em Alvalade atingira níveis elevadíssimos e Dias da Cunha, que até aí apoiava Peseiro em tudo, não teve outro remédio senão aceitar a demissão de Peseiro. Com Peseiro, caiu também Paulo de Andrade, administrador da SAD e mais tarde o próprio Dias da Cunha. Subiu ao poder Filipe Soares Franco e trouxe com ele Carlos Freitas. Dois homens que arrojadamente, chamaram para treinador um homem que tinha apenas um ano de experiência técnica nos juniores e não tinha sequer o terceiro nível do curso de treinadores. No entanto era alguém que conhecia a casa e por essa razão foi facilmente aceite na massa adepta leonina. Nos 9 jogos até Janeiro, Paulo Bento pegou numa equipa descompensada, ansiosa e em 7ºlugar e conduziu-a a 5 vitórias, 3 empates e apenas 1 derrota (frente ao E. Amadora). Ganhámos estabilidade e acima de tudo, ganhámos confiança!
Em Janeiro equilibrámos a equipa, fortaleceu-se a defesa com os empréstimos de Abel e Caneira e contrataram-se Romagnoli e Koke para ter mais soluções atacantes. Por outro lado, por motivos familiares, Rogério foi vendido ao Fluminense e Paíto, Edson, Varela e Wender foram emprestados. Tal qual justiça poética, Wender, que tinha sido uma nulidade em Alvalade, decidiu o jogo a favor do Braga quando o Sporting visitou a cidade dos arcebispos, no entanto esse embate acabou por ser o ponto de viragem do campeonato, seguiu-se uma vitória no Restelo, um empate com o Marítimo, e uma série de 10 vitórias consecutivas potenciada por uma vitória na Luz por 3-1 em que a vantagem poderia ter sido bem mais dilatada. Nessa série de vitórias o Sporting marcou 19 golos e sofreu apenas 2, ambos de penalty. Era um Sporting renovado, um Sporting que assentava no acto de aproveitar o erro do adversário e um Sporting que apresentava uma solidez defensiva inigualável. Na 30ª jornada foi o jogo do título, mas aqui, o Sporting caiu na sua própria armadilha, Jorginho aproveitou o nosso erro defensivo e lançou o Porto para a conquista do título. Restava-nos combater pelo acesso directo à Liga dos Campeões, os níveis anímicos foram abaixo com a perca da possibilidade de conquistar o título e parte das últimas quatro jornadas foram um suplício para nós, sportinguistas, e para a equipa. Dois empates com o Estrela da Amadora e com a Naval poderiam ter deitado tudo a perder, mas nas últimas duas jornadas aquela garra e aquele brio que marcaram a maior parte do tempo que Paulo Bento passou a orientar a nossa equipa voltaram e, com toda a naturalidade, conseguimos garantir o 2ºlugar e o acesso preciso à Liga dos Campeões. Fazendo minhas as palavras do administrador da SAD, Rogério de Brito, dada a situação financeira do Sporting, “a Liga dos Campeões nunca será um mal menor, mas sempre um bem menor”. Agora urge a necessidade de reforçar este plantel. Existem alguns sectores que têm de ser reforçados para sermos bem sucedidos na Liga dos Campeões e no campeonato da próxima época. O Sporting está muito bem artilhado em algumas áreas mas ainda temos algumas lacunas que poderão ser corrigidas na pré-época. Durante os próximos dias irei dar a minha opinião sobre o plantel do Sporting em cada sector, apareçam por cá para dar a vossa opinião!













